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domingo, 24 de março de 2013

Perda das Palavras

Alguns amigos após visualizarem uma de minhas postagens me questionaram por não ter dado a minha opinião sobre o assunto abordado. E a verdade é que eu não encontrei verbetes suficientes para que conseguisse me expressar, por isso ficou naquela coisa "meia boca" ou, uma opinião suplérfua sobre o assunto. Até agora. Estive dando uma olhada nos posts de um professor, e, utilizando-me de suas palavras, publico aqui a opinião sobre a "perda das palavras" :

BABEL ou,
A PERDA DAS LETRAS

(...)
De tanto chamares a todos – e qualquer um - de amigo, não terás condição nem discernimento para acolher o amigo, quando ele se manifestar e, assim, não saberás mais quem é o amigo, o colega, o estranho e o transeunte -aquele a quem deves dedicar o afeto e estes, aos quais deves dedicar o direito;

De tanto chamares a todos – e qualquer um – de amor, não saberás quem é o teu amor quando ele acontecer diante dos teus olhos e, destarte, ele passará e, por isso mesmo, não saberás discernir entre o amor e o vento, porque o amor não vem nas nuvens, nem por entre páginas que se perdem, mas da experiência e da morada;

De tanto chamares a todos – e qualquer um – de companheiro, não poderás saber quem é o companheiro e, assim, não poderás desfrutar nem compartilhar teu pão com o companheiro, ao teu lado e à tua mesa, porque nas mãos do companheiro está o pão sem mácula nem vergonha, sem traição nem leviandade;

O amigo e o companheiro são construções cotidianas que impõem, de início, um discernimento morfológico e um cuidado semântico! O amor é a experiência total da liberdade e dos sentidos plenos; é o híbrido movimento e tensão entre um verbo e um substantivo na integridade dos seres. E há o outro e o transeunte e, também, a quem se compra – e se mantém - por qualquer moeda!

Então, volte ao étimo e às experiências minimais. Não procures pelas frases, porque elas são como um lixo espacial, mas, caminhe pelas letras iniciais e transite, assim, com tranqüilidade, para saberes o que são letras escuras e claras – volte ao urro e aos gemidos desérticos das primeiras expressões, porque elas formarão a tua alegria e a tua tristeza.
(...)

© Pietro Nardella Dellova, in “A Palavra Como Construção do Sagrado”, PUCSP, 1998.
Não pensem que é o famoso "puxasaquismo" para conseguir uma boa nota no fim do semestre, até porque, eu nem tenho mais aulas com esse professor.. Porém, acho magnífico o jeito como ele consegue se expressar em qualquer que seja o assunto!
Se tiver um tempinho e até mesmo uma pitada de curiosidade, dê uma olhada no blog dele clicando aqui .

 

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