Alguns amigos após visualizarem uma de minhas postagens me questionaram por não ter dado a minha opinião sobre o assunto abordado. E a verdade é que eu não encontrei verbetes suficientes para que conseguisse me expressar, por isso ficou naquela coisa "meia boca" ou, uma opinião suplérfua sobre o assunto. Até agora. Estive dando uma olhada nos posts de um professor, e, utilizando-me de suas palavras, publico aqui a opinião sobre a "perda das palavras" :
BABEL ou,
A PERDA DAS LETRAS
(...)
De tanto chamares a todos – e qualquer um - de amigo, não terás
condição nem discernimento para acolher o amigo, quando ele se
manifestar e, assim, não saberás mais quem é o amigo, o colega, o
estranho e o transeunte -aquele a quem deves dedicar o afeto e estes,
aos quais deves dedicar o direito;
De tanto chamares a todos – e qualquer um – de amor, não saberás quem é
o teu amor quando ele acontecer diante dos teus olhos e, destarte, ele
passará e, por isso mesmo, não saberás discernir entre o amor e o vento,
porque o amor não vem nas nuvens, nem por entre páginas que se perdem,
mas da experiência e da morada;
De tanto chamares a todos – e
qualquer um – de companheiro, não poderás saber quem é o companheiro e,
assim, não poderás desfrutar nem compartilhar teu pão com o companheiro,
ao teu lado e à tua mesa, porque nas mãos do companheiro está o pão sem
mácula nem vergonha, sem traição nem leviandade;
O amigo e o
companheiro são construções cotidianas que impõem, de início, um
discernimento morfológico e um cuidado semântico! O amor é a experiência
total da liberdade e dos sentidos plenos; é o híbrido movimento e
tensão entre um verbo e um substantivo na integridade dos seres. E há o
outro e o transeunte e, também, a quem se compra – e se mantém - por
qualquer moeda!
Então, volte ao étimo e às experiências
minimais. Não procures pelas frases, porque elas são como um lixo
espacial, mas, caminhe pelas letras iniciais e transite, assim, com
tranqüilidade, para saberes o que são letras escuras e claras – volte ao
urro e aos gemidos desérticos das primeiras expressões, porque elas
formarão a tua alegria e a tua tristeza.
(...)
© Pietro Nardella Dellova, in “A Palavra Como Construção do Sagrado”, PUCSP, 1998.
Não pensem que é o famoso "puxasaquismo" para conseguir uma boa nota
no fim do semestre, até porque, eu nem tenho mais aulas com esse
professor.. Porém, acho magnífico o jeito como ele consegue se expressar
em qualquer que seja o assunto!
Se tiver um tempinho e até mesmo
uma pitada de curiosidade, dê uma olhada no blog dele
clicando aqui .
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